Acrescenta o N no MITO!

Foto: Divulgação

ONU – Organização das Nações Unidas, dia 21 de setembro, do corrente ano, véspera da primavera no hemisfério sul.

Expectativa para o discurso do mandatário do Brasil, Jair Messias Bolsonaro.

Ao ouvir aquele conto de fadas, falou-me um homem de camisa verde-e-amarelo, que estava assistindo o discurso, em uma tv led na vitrine de uma loja, no centro da cidade.

     “Lembrei-me de um mito da minha infância, infância dos sessentões de hoje; Pinóquio, o menino de madeira que virou gente para preencher a carência de um velhinho, sem filhos, bondoso e prestativo”, falou-me o distinto senhor, olhando-me tão profundamente, que tive a impressão de que estava sendo hipnotizado. Mas foi pura impressão. O que senti naquela hora foi o estado de choque em que o cidadão de camisa verde-e-amarelo se encontrava.

“Apresento um novo Brasil, diferente daquele que é apresentado na mídia”.

“Estamos há dois anos e oito meses sem nenhum caso concreto de corrupção”;

“Antes as estatais davam bilhões de prejuízos, hoje, são lucrativas”;

“Nenhum país do mundo tem uma legislação ambiental tão moderna quanto a nossa”;

“A nossa economia, temos um dos melhores desempenho entre os países emergentes”.

 Foram essas quatro partes do discurso do presidente que o senhor de verde-e-amarelo repetiu para mim.

“Na economia, uma inflação que não permite sequer, alguém das classes mais pobres comprar carne, gasolina. Tudo está um absurdo”;

Queimadas, desmatamento e invasão de terras indígenas, jamais vistos em nosso país. Nem no regime militar se viu tal procedimento.

As estatais, estamos sufocados pelo preço da gasolina, do gás, da energia elétrica. Com os preços que pagamos, entendemos agora esses lucros auferidos pelas estatais.

A corrupção está à solta no ministério da saúde. Na Educação, usurpação de direitos, uma educação moldada para poucos e não para todos. As rachadinhas, Queiroz, milícias, controle dos órgãos de investigação, ministros que deixaram os mandatos sob acusações de facilitação de negócios e participação de esquemas econômicos fraudulentos.

Meu amigo, mas uma coisa ele acertou, não se enganou ou mentiu, como dizem alguns.

O Brasil está diferente, e está muito diferente mesmo, do que era e, principalmente, do Brasil que ele, o mito, falou que iria construir.

Nisto ele acertou em cheio.

Ele vive em outro mundo, em outra órbita, uma órbita de sonhos e pesadelos que se misturam.

“A minha indignação com esse senhor, cabe-me modificar a palavra Mito. Esse Mito deve ser escrito com a adição de um N, para ser mais explícito, antes do T”, disse-me o senhor que vestia aquela camisa verde-e-amarelo, e que testemunhou aquelas palavras do presidente, na calçada de uma esquina, na vitrine de uma loja.

     O semblante daquele homem lembrou-me uma pessoa solitária em seus sonhos e esperanças.

Não há tristeza maior, que uma pessoa sem esperanças, e com seus sonhos desfeitos e jogados ao vento.

Ao final, disse-me, ainda: o Pinóquio, se arrependeu e virou gente de verdade para o resto da vida. Mas o meu presidente, mostrou-se um boneco de madeira, espero que não seja para sempre, finalizou o infeliz decepcionado brasileiro de verde-e-amarelo.

* Com Carlo Bandeira 

23/09/2021 05h15