Arapiraca participa de 2º Encontro Nacional de Povos de Terreiro em MG

Foto: Divulgação

Os sacerdotes Professor Clébio Araújo (Ifatomisin OdéYalé) e Wellington Galdino da Rocha (Ganguigegi) integraram a delegação alagoana que participou do II Ègbé – Encontro Nacional de Povos de Terreiro no último final de semana, em Belo Horizonte.

 Ègbé, em yorubá, significa família. Como uma reunião de família, 400 participantes debateram sobre a sociedade brasileira e a conjuntura política atual, a partir da perspectiva dos povos de terreiros de todo o Brasil. A delegação alagoana foi composta por oito filhos e filhas de santo, entre eles a Iyalorixá Mãe Mirian de Nanã, matriarca do candomblé alagoano.

Entre os dias 02 a 06 de junho, os povos de terreiro abordaram a situação política e econômica do país. Em um espaço sobre a conjuntura brasileira, o professor arapiraquense Clébio Araújo integrou a mesa como relator e participante ao lado de Nilma Lino, ex-ministra da Igualdade Racial do governo Dilma Rousseff; João Pedro Stédile, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST),  e Sheyla Walker, pesquisadora norte americana.

O encontro teve na sua programação oficinas, apresentações culturais e debates que debateram os desafios de resistência às retiradas de direitos dos últimos anos além de construir pontes e políticas públicas que garantam a liberdade religiosa. ”O II Ègbé se apresenta como um espaço privilegiado de reflexão e debate sobre a sociedade brasileira e a conjuntura política atual, tendo como orientação a perspectiva dos povos de terreiros de todo o Brasil. É um espaço também de mobilização e articulação política das comunidades de terreiro das organizações do Movimento Negro Nacional, no sentido de unir esforços pela conquista e consolidação de direitos, bem como de políticas públicas para esse segmento”, explica Clébio.

Temas como Covid-19, eleições 2022, violência e outros foram debatidos por todos no encontro. Entre as deliberações está a construção de comitês de fomento à participação popular em cada terreiro do país, como ferramenta de ampliação do debate e mobilização em torno da candidatura progressista de Luiz Inácio Lula da Silva, apontado no encontro como único candidato capaz de se comprometer em pacificar o país, restaurar o Estado Laico e retomar as políticas de direitos humanos e proteção aos povos tradicionais.

Para além do apoio e construção da candidatura de Lula, os povos de terreiro construíam uma carta de reivindicações que cobra do mesmo a participação efetiva dos povos de terreiros na elaboração do seu plano de governo, além da garantia de representatividade nas diversas instâncias e órgãos de Estado de membros de tais comunidades, como forma de garantir políticas públicas e investimentos na proteção e desenvolvimento das mesmas.

Para o professor e filho de santo, a sobrevivência dos povos de terreiro perpassa pela derrota do atual governo. “É clara a necessidade da união de esforços em um amplo arco de alianças para fazer frente à principal ameaça ao Estado Democrático de Direito no momento atual, ou seja, o bolsonarismo e seu viés excludente e violento que, aceleradamente, tem fomentado a convulsão social e posto em risco os setores mais atingidos pela pobreza e pelo racismo”, finaliza.

Fonte: Jornal de Arapiraca/ Lysanne Ferro