
REDAÇÃO COM ASSESSORIA
A luta histórica da comunidade quilombola Tabacaria, localizada em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas, alcançou uma vitória importante: a posse definitiva de um imóvel rural foi concedida ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o que garante a regularização completa do território tradicionalmente ocupado pelas famílias da região.
A decisão foi cumprida no último dia 11 de setembro, por ordem da Justiça Federal, e representa a etapa final de um processo que começou há mais de uma década. Com a nova área incorporada, o território passa a contar com 410 hectares, beneficiando diretamente 180 famílias quilombolas.
A entrega da posse foi acompanhada por oficiais de Justiça, representantes do Incra e lideranças da Associação de Desenvolvimento do Quilombo Tabacaria. Assim que o imóvel foi liberado, a comunidade começou a instalar cercas e a marcar os novos limites do território. O espaço será utilizado, principalmente, para a construção de moradias.
Segundo membros da associação, esse momento representa mais do que um avanço legal. É uma conquista simbólica, fruto de muitos anos de resistência. “Essa conquista é fruto da persistência e da força do nosso povo”, afirmou uma das lideranças da comunidade.
O superintendente regional do Incra em Alagoas, Júnior Rodrigues, também esteve presente no ato e destacou a importância do feito. “Foram anos de resistência. Hoje, conseguimos garantir essa área de forma pacífica, com respaldo da Justiça. É um dia de alegria para todos nós”, declarou.
O processo de desapropriação teve início em 2015, quando o Incra depositou em juízo o valor da indenização aos antigos ocupantes. A decisão judicial foi concluída em 2017, o que permitiu o avanço das etapas de regularização. Em 2016, outros dois imóveis já haviam sido titulados em nome da comunidade. Agora, com a unificação das três áreas, Tabacaria se torna o primeiro território quilombola em Alagoas a receber a titulação completa.
Em breve, o Incra emitirá um novo título de domínio coletivo, reunindo oficialmente todas as partes do território em um único documento. Para a comunidade, a conquista reafirma o direito à terra, à moradia e à preservação de sua cultura e história.
