Cultura: Igor Machado, mais um alagoano de se tirar o chapéu!

Foto: Divulgação

Igor Machado Barros, chamado pelo vulgo de muito sucesso; Igor Machado, um fazedor de cultura, da nossa cultura.
Abaixo da linha do equador, do lado ocidental, estará ele ali. O “Brasa’, obra inspirada no seu jeito de ver as coisas, seu jeito de sentir o mundo todo do planeta terra.
Alagoano alagado pelo Velho Chico, pelas águas que vêm lá das mantiqueiras.
Filho de Traipu, cidade agrestina do segundo menor estado do Brasil, em território. Porém, altivo e nobre são os seus filhos e filhas. Terra de Dandara, de Nise, da Mestra Maura, de Zeza do Coco, terra de Marta, o canto do Zumbi, do Graça, do Ivo, do Rojão do Tororó, terra de Igor, das águas tortas do São Francisco.
Multiartista, mil facetas explicam esse nordestino, ou tentam explicar o que nem ele mesmo define exatamente. Tudo pode ser tudo ou quase tudo, ou até mesmo nada, acho eu, acerca dele. Uma maravilha!
Uma negação para a vida acadêmica, assim, Igor Machado se “autoindefine, pois a definição chega a galope; um cara manso, gentil, crédulo, voraz pelo seu jeito intérprete da vida.
Criado entre a classe média tradicional e o buraco do vale do Reginaldo, fosso profundo entre a dor e a delícia das classes sociais. Mas Igor viu na dor, que os outros tanto falavam, a doçura da arte folclórica, a força de gentes simples, sofridas e arteiras, criativas e até felizes, muito felizes.
Lá, no Reginaldo, vista da janela de uma escola onde estudava, ruminava o conceito que lhe entregavam as pessoas do Farol, do litoral, sobre aquele recanto, atravessado por uma ponte que sobrevoava acima dos 100 metros de altura.
Resolveu descer aquele vale, e descobriu a virtude dos magos e magas que sombreavam aquela vidinha, contornando as agruras e pintando o mundo colorido das guerreiras do guerreiro, do Boi Bumbá, de tantas almas de Alagoas. Alagoas que ele vira não ser só as Alagoas dos Marechais.
Na beira do Velho Chico, dedilha suas primeiras artes. A arte de imaginar, criar, admirar, duvidar, sofrer e gozar, a arte de cantar. Nasce “Coco Pop Xote Novo”, seu primeiro álbum, já de músicas autorais.
Livre e solto na aparência e nas vestes, viu-se de cabelo cortado e de sapatos sociais, imprimindo um verdadeiro trabalhador que sobrevivia daquele suor.
Uma rodada pela argentina fez trazer para si, a condição de um traipuense latino-americano.
Para encurtar a conversa, essa negação acadêmica, é hoje, um dos artistas multifacetados de Alagoas.
Produtor Cultural, Poeta daqueles que ainda musicam os seus versos, dentre tantas as definições, ainda encontramos o Igor cineasta. Produtor, roteirista e diretor de várias produções em curta-metragem. lista: “Até onde não der”, “Nas Quebradas do Boi”, “A Casa do Velho Chico”, “O Juremeiro de Xangô”.
Ha, sim, ia me esquecendo! Igor, amadurece o seu mais novo fruto: Brasa, um conjunto de composições autorais que passeiam pela superfície de suas impressões humanísticas, políticas e por aí vai…
Igor Machado, mais um alagoano de se tirar o chapéu.

Fonte: Jornal de Arapiraca/ Carlo Bandeira