
Os estudantes do curso de Zootecnia da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), do Campus de Santana do Ipanema realizaram nesta quarta-feira (19) um protesto pela cidade e pela unidade de ensino. Entre as reivindicações, está a contratação de docentes para suprir a demanda do curso que corre o risco de não ofertar mais turmas para os estudantes que prestarem o Enem.
De acordo com os relatos dos estudantes, as demandas do curso são desde 2019, entre elas as melhorias na estrutura, como laboratórios, e a contratação de docentes para lecionar as disciplinas, garantindo assim a possibilidade de que os estudantes concluam a graduação no tempo estipulado.
Para os estudantes, a falta de professores prejudica a integralização do curso, ou seja, a conclusão de todas as exigências para que o aluno se forme. A estudante do 8º período, Joseane Júlia, terá que passar mais tempo do que o previsto para concluir devido a falta de professor para lecionar as disciplinas. “Estou no final do curso, dependendo de matérias importantes do começo dos primeiros períodos ainda, por falta de professores que são pré-requisitos para matérias fundamentais do curso. Sem contar os alunos que entraram recentemente que estão com todas essas matérias aí pela frente e se não pagar uma acumula e trava o curso”, revelou.
A falta de professores ainda preocupa estudantes e professores. Em 2003, o concurso público realizado levou o quadro de docentes a ter 26 profissionais, número que atendia às especificidades da matriz curricular à época. Com o passar dos anos, aposentadorias, licenças, remanejamentos e exonerações levaram ao estado crítico em que se encontra o curso, agora com 14 professores sobrecarregados e com perspectiva de mais aposentadorias, e estudantes no fim da graduação devendo disciplinas iniciais devido à falta de professores para administrar as aulas.
“A vacância decorrente das aposentadorias e transferências compromete o funcionamento e a qualidade do curso, pois com o desligamento ou transferência dos docentes, o quadro efetivo perde profissionais qualificados em áreas específicas. Considerando-se as áreas específicas do Curso de Zootecnia, será necessário, pelo menos 06 novos docentes (40h) para atender as carências em disciplinas”, esclareceu a coordenadora do curso, professora doutora Ana Paula Maia dos Santos.
Atualmente, 24 disciplinas estão sem professores, segundo as informações. “Professores se aposentaram, foram removidos, se afastaram por doença, por ocupar cargos, por doutorado, por gravidez. E nenhuma atitude pontual e prática para solucionar essas faltas para que não perdêssemos essas disciplinas, foram tomadas. O tempo de integralização do curso, está cada vez mais longe do ideal. São 24 disciplinas sem professores. Houve um caso esse semestre que 3 disciplinas foram ofertadas e no meio do semestre a professora foi removida. Estamos com elas paradas, sem poder concluir e sem ter podido pegar outras no semestre”, informou outra estudante do curso Isabelly Ferro.
Os professores que ainda dão aulas no curso também são prejudicados, pois para evitarem o fechamento e não prejudicarem os estudantes, assumem disciplinas de outras áreas de pesquisa. “O corpo docente de Zootecnia tem sofrido sobrecarga devido ao grande número de disciplinas sem professores. Alguns docentes, por exemplo, assumem, em caráter emergencial, disciplinas adicionais que não são exatamente da sua área específica de atuação, mas que precisam ser disponibilizadas para que os discentes integralizem o curso”, explicou a coordenadora.
Na parte da infraestrutura, algumas reivindicações foram atendidas, como a reforma e ampliação de laboratórios, biblioteca, bem como o Plano de Cargo e Carreiras, com a ampliação da carga horária de 20h para 40h de todos os professores da Uneal.
Entretanto, caso não haja contratação de docentes, o primeiro curso de Zootecnia do estado pode ser encerrado. “Tivemos a ampliação de carga horária, novos equipamentos de laboratório, e agora alguma estruturação no campus, porém, de nada vale tudo isso se não tiver alunos para fazer o proveito desses materiais e espaços, juntamente com professores específicos das matérias, que só se consegue através de concurso público, e não tapa buracos”, reivindicou Joseane.
Os estudantes chegaram a entrar com uma ação civil pública, através da Defensoria Pública, para que a situação fosse resolvida com contratações emergenciais. Em junho deste ano, o juiz Kleber Borba Rocha, da 2ª Vara de Santana do Ipanema, determinou que a Uneal preenchesse as vagas através de concurso público no prazo de 90 dias.
De acordo com a assessoria da Uneal, a reitoria vem junto ao Governo do Estado buscando melhorias e conquistando algumas. O concurso para docentes, que beneficia também todos os cursos ofertados pela instituição, tem sido tratado nas reuniões com o governador. As tratativas para a realização do concurso foram iniciadas, contudo, devido ao período eleitoral, não puderam ser concluídas. A contratação de novos professores precisa ser feita através de concurso público, segundo as informações.
Enquanto aguardam a resolução do impasse, o curso já tem avaliação do Ministério da Educação marcada para março de 2023, o Conselho Estadual de Educação de Alagoas já realizou avaliação em 2019 e apontou as defasagens do curso e chegou a suspender o ingresso de novos estudantes em 2020, mas foi revogado após o curso conseguir sanar algumas das solicitações do Conselho.
“Caso não seja realizado concurso público, em caráter emergencial, o Curso de Zootecnia não conseguirá disponibilizar a integralização da formação aos discentes dentro do prazo estimado no Projeto Pedagógico do Curso, o que incorrerá em ponto negativo na próxima avaliação do Curso, estimada para março de 2023”, finalizou a coordenadora.
Fonte: Jornal de Arapiraca/ Lysanne Ferro
