Investigação avança sobre tragédia com romeiros que matou 16 pessoas no Sertão de Alagoas

Por Redação/ Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Alagoas informou nesta quinta-feira (26) que as investigações sobre o acidente que vitimou 16 romeiros no Povoado Caboclo, em São José da Tapera, seguem em estágio avançado. O caso ocorreu no dia 3 de fevereiro, quando um ônibus que transportava fiéis tombou na rodovia AL-220, deixando uma das maiores tragédias rodoviárias recentes do estado.

Segundo a polícia, o motorista do veículo já recebeu alta hospitalar, mas ainda não foi ouvido formalmente. O depoimento é considerado peça-chave para a reconstituição da dinâmica do acidente e para o esclarecimento das responsabilidades. Enquanto isso, investigadores seguem reunindo informações técnicas e testemunhais para compor o inquérito.

O ônibus transportava cerca de 60 pessoas que retornavam de Juazeiro do Norte, no Ceará, com destino ao município de Coité do Nóia, no Agreste alagoano. O tombamento ocorreu por volta das 6h, no trecho da AL-220 que corta o povoado, surpreendendo os passageiros e moradores da região.

Ao longo da semana, a Polícia Civil colheu depoimentos de sobreviventes, de motoristas que integravam a comitiva da romaria e de representantes da Prefeitura de Coité do Nóia, responsável pela organização da viagem religiosa. As oitivas permitiram esclarecer aspectos importantes do trajeto, da organização da romaria e das condições do deslocamento, embora detalhes técnicos ainda não tenham sido divulgados oficialmente.

O delegado Diego Nunes, titular do 43º Distrito Policial de São José da Tapera, afirmou que o motorista ainda não prestou depoimento em razão do período de recuperação clínica. Ele também confirmou que a hipótese de falha mecânica no ônibus foi descartada pelas primeiras análises técnicas, e que novas oitivas com testemunhas e passageiros devem ocorrer nos próximos dias.

A polícia reforça que a conclusão definitiva sobre as causas do acidente dependerá da finalização do laudo pericial, que ainda está em elaboração. Somente após esse documento técnico será possível estabelecer com precisão as circunstâncias do tombamento e eventuais responsabilidades criminais.

A tragédia deixou 16 mortos, entre adultos, adolescentes e crianças. As vítimas identificadas são: Adelmo José de Oliveira (52), Claudiana Maria da Silva Bastos (45), Cleusa Simão Lima (63), Cícero Barbosa de Lima (71), Edivania da Silva Lima (39), Francisco Izidoro da Silva (71), Jamilly da Silva Bastos (5), José Caio de Oliveira Souza (15), José Welliton Barbosa Louriano (39), Josefa Madalena de Alcantara (67), Luiz Miguel Alcântara (4), Maria do Socorro Santos (73), Maria Gorete Rodrigues Izidoro da Silva (38), Maria Manuella de Souza Oliveira (5), Vandete Maria da Silva (60) e Sebastião Vieira de Morais Neto (55).

Enquanto as investigações prosseguem, familiares das vítimas aguardam respostas oficiais e responsabilizações, em meio à dor coletiva causada por uma tragédia que marcou profundamente comunidades do Sertão e do Agreste alagoano.