
Presidente da Câmara de Rio Largo – Foto: Redes Sociais
A instabilidade política em Rio Largo, Alagoas, ganhou um novo capítulo com a decisão judicial que suspendeu o afastamento do prefeito Pedro Carlos da Silva Neto (Carlos Gonçalves) e do vice, Peterson Henrique, ambos do PP. A liminar foi concedida pelo juiz Guilherme Bubolz Bohm, da 1ª Vara de Rio Largo, que determinou a recondução imediata dos gestores aos seus respectivos cargos.
A medida anula os efeitos do Ato da Presidência da Câmara de Vereadores, que havia declarado a renúncia de ambos e conduzido o presidente da Casa, vereador Rogério da Silva, ao comando do Executivo municipal. Segundo a decisão, a documentação apresentada pela Câmara para justificar a suposta renúncia do prefeito e do vice carecia de autenticidade, configurando uma possível tentativa de golpe político.
Vale lembrar que o prefeito Carlos Gonçalves negou categoricamente a veracidade das cartas de renúncia apresentadas no plenário da Câmara e denunciou uma trama para destituí-lo do cargo. “Não renunciei ao meu mandato e nunca irei renunciar. Essa carta é falsa, fruto de uma tentativa criminosa de golpe!”, declarou em nota oficial.
A repercussão do caso mobilizou lideranças políticas, incluindo o senador Renan Calheiros (MDB), que cobrou investigação rápida sobre a origem dos documentos e a responsabilidade dos envolvidos.
Porém, o presidente da Câmara, Rogério Silva, usou suas redes sociais para divulgar a suposta carta de renúncia e desafiar a população a comparar as assinaturas de Carlos Gonçalves com outros documentos. Em nota, o presidente da Câmara Municipal afirmou que irá recorrer à Justiça contra aqueles que estão, segundo ele, difamando sua imagem. “Serei implacável contra conteúdos absolutamente criminosos divulgados na internet”, declarou o vereador, que também chamou o prefeito de “fantoche” e o acusou de não possuir histórico de serviços prestados à comunidade.
Também é importante lembrar que, na segunda-feira, 01, Rogério Silva tentou invadir o gabinete da Prefeitura para assumir o cargo, sendo impedido. A Polícia Militar precisou cercar o prédio para evitar novos confrontos. Para garantir sua permanência, Carlos Gonçalves chegou a passar a noite na sede da administração municipal.
Na decisão liminar, proferida na última terça-feira, 02, o juiz determinou que o presidente da Câmara preste esclarecimentos no prazo de dez dias. O Ministério Público será ouvido antes de uma decisão final sobre o mérito da ação.
Enquanto isso, a Polícia Civil instaurou uma comissão para apurar a suposta falsificação das cartas de renúncia. Delegados da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) foram designados para conduzir a investigação, já em andamento com diligências e coleta de provas.
A Caixa Econômica Federal também interferiu na crise ao bloquear as contas da Prefeitura de Rio Largo, comprometendo pagamentos de salários, fornecedores e serviços essenciais. O banco tomou a decisão após o presidente da Câmara se apresentar como novo prefeito. Diante do impasse, a gestão municipal precisou recorrer à Justiça para restabelecer o acesso aos recursos.
Gilberto Gonçalves e o projeto “GG Cuidando da Gente”
Mesmo sob suspeita de envolvimento na tentativa de afastar Carlos Gonçalves, o ex-prefeito e ex-secretário de Governo, Gilberto Gonçalves (GG), segue agindo normalmente. Fora da administração municipal, GG anunciou a distribuição de geladeiras, camas e outros bens para cinco famílias por meio do projeto “GG Cuidando da Gente”. Os beneficiários serão escolhidos por sorteio e os interessados devem se inscrever até o dia 8 deste mês. Para participar, os candidatos precisam enviar um vídeo contando sua história com Gilberto Gonçalves, além de apresentar documentação via WhatsApp.
O lançamento do projeto ocorreu em meio às graves denúncias feitas por Carlos Gonçalves, que acusou Rogério Silva, aliado de GG, de tentar fraudar sua destituição.
Por Política em Pauta