Mulheres Quilombolas Comemoram 8 de Março com Encerramento de Projeto Contemplado na PNAB Arapiraca

Por Assessoria

Arapiraca, Alagoas – O projeto “Leitura e Terapia no Quilombo” celebrou seu encerramento neste 7 de março, como parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher (8 de março), com um saldo positivo e grande emoção na comunidade quilombola Carrasco. A iniciativa, idealizada por Thamiris Meneses, mulher negra, empreendedora, acadêmica do curso de Serviço Social e leitora, foi contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) em Arapiraca, através de edital da Secretaria Municipal de Cultura.
Durante cinco meses, o projeto atendeu 32 mulheres quilombolas na Associação Quilombola do Carrasco, promovendo um espaço de valorização da identidade, cultura e ancestralidade. Genilda, liderança quilombola da comunidade Carrasco e coordenadora das Dandaras, além de conselheira da igualdade racial de Alagoas, expressou a alegria de receber um projeto de tamanha relevância, destacando a importância das políticas culturais para as comunidades tradicionais. No encerramento, as participantes foram homenageadas com leituras e poemas de autoras arapiraquenses, como Marta Eugênia, Milene Lima e Laurinete do Quilombo Pau d’Arco, uma das autoras do livro “Gente Quilombola”. A psicóloga Luana Rayara concluiu: “Foi lindo levar literatura produzida por mulheres arapiraquenses para elas”


O “Quilombo Literário: Leitura e Terapia” foi concebido para ser realizado na comunidade quilombola Carrasco, em Arapiraca, Este marco histórico reforça a importância de iniciativas que valorizem a identidade, a cultura e a ancestralidade do quilombo, promovendo autoestima e fortalecimento comunitário. As atividades combinaram mediação de leitura, com foco em obras de autoras negras brasileiras como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Djamila Ribeiro, e rodas de diálogo terapêuticas, conduzidas por uma psicóloga negra, que promoveram práticas reflexivas sobre identidade, autoestima e aceitação dos corpos e cabelos crespos.


O projeto foi conduzido por duas mulheres negras inspiradoras: Thamiris Meneses, mulher negra, empreendedora, mãe de duas crianças negras, Thalita e Anselmo, acadêmica do curso de Serviço Social e leitora. Thamiris passou pela transição capilar em 2016 e atualmente ensina e apoia mulheres nesse processo, além de promover o empreendedorismo. Luana Rayara, psicóloga negra, especialista em Saúde da Mulher e Neuropsicologia, contribuiu significativamente para o fortalecimento da autoestima e identidade de mulheres e crianças quilombolas por meio de rodas de conversa terapêuticas que promoveram acolhimento e reflexão. A equipe do projeto também contou com a produção e assessoria de comunicação de Rejane Barros e Maria Silva, que garantiram a divulgação e o alcance da iniciativa.


A iniciativa, liderada por mulheres negras, reforça a importância de projetos que nascem da própria comunidade e promovem a união e a força coletiva. O encerramento no Dia Internacional da Mulher não foi apenas uma celebração, mas um ato de reafirmação do poder, da resiliência e da união das mulheres quilombolas, que seguem valorizando sua história e suas contribuições para a sociedade.