
Por Carlo Bandeira
O governo Lula reagiu com firmeza, denunciando a arbitrariedade e defendendo empregos, indústrias e a soberania do país. De um lado, tarifas erguidas como muros de concreto; do outro, a voz de um Brasil que se recusa a aceitar amarras disfarçados de regras de mercado.
A história ensina que medidas protecionistas são como muralhas erguidas às pressas: dizem mais sobre o medo de quem as constrói do que sobre a força de quem as enfrenta. Ao levantar barreiras comerciais, Trump alimenta sua política doméstica, mas deixa evidente que alianças sem respeito são castelos de areia diante da maré.
O episódio acendeu um farol para o Brasil: ou diversifica seus portos e destinos, ou continuará refém dos ventos que sopram da Casa Branca. É preciso buscar novos mares, firmar acordos multilaterais, investir em tecnologia e inovação, para que nossa economia não dependa do humor de um capitão estrangeiro.
O tarifaço também revelou que o comércio exterior não é uma praça neutra, mas um campo de batalha silencioso, onde tarifas são lanças, acordos são escudos e diplomacia é a arte de sobreviver em meio às flechas. Nesse tabuleiro, o Brasil não pode ser peão: precisa ser jogador, com estratégia e visão.
E, no plano interno, a lição é ainda mais profunda: não basta reagir às tempestades lá fora se o barco aqui dentro estiver frágil. O fortalecimento da indústria nacional, a valorização da mão de obra e a unidade entre governo, empresários e trabalhadores são o casco que sustenta o navio do desenvolvimento.
No fim, o tarifaço não fala apenas de preços ou impostos, mas de dignidade. É a afirmação de um país que se levanta contra a tentativa de ser tratado como fornecedor de segunda classe, e que reivindica, em alto e bom som, o seu direito de navegar como protagonista no oceano turbulento do comércio global.
