
Por Redação
A Polícia Civil de Alagoas confirmou que irá intimar, nos próximos dias, o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, e o proprietário da empresa PretoTur, responsável pelo transporte do ônibus envolvido no grave acidente que matou 16 romeiros e deixou pelo menos 21 pessoas feridas no Sertão do estado. As oitivas fazem parte do inquérito que apura as responsabilidades pela tragédia registrada no início da semana.
Em entrevista coletiva concedida na tarde da quarta-feira (4), o delegado Antônio Carlos Lessa, responsável pela investigação, afirmou que os primeiros levantamentos apontam para uma possível falha humana. Segundo ele, depoimentos colhidos no local e dados preliminares da perícia indicam que o acidente não foi causado exclusivamente por problemas mecânicos, mas por uma sucessão de fatores que resultaram no capotamento do veículo.
De acordo com a Polícia Civil, o dono da empresa PretoTur será ouvido para esclarecer as condições de manutenção do ônibus, a regularidade da frota e a documentação do motorista, que segue internado em estado grave e ainda não prestou depoimento. Já o prefeito Bueno Higino deverá explicar como se deu a contratação do serviço de transporte e se houve participação direta da administração municipal na organização da viagem religiosa.
A investigação ganhou novos contornos após informações divulgadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que apontam que o ônibus operava de forma irregular. Conforme a agência, o veículo não possuía autorização para transporte interestadual, estava com o Certificado de Segurança Veicular e o seguro obrigatório vencidos, além de não contar com a Licença de Viagem exigida para o trajeto.
O ônibus transportava cerca de 60 romeiros que retornavam de Juazeiro do Norte, no Ceará, após uma romaria ao santuário de Padre Cícero. O acidente ocorreu por volta das 4h40 da terça-feira (3), em um trecho da rodovia no município de São José da Tapera conhecido como “curva do S”, área com histórico de acidentes. O motorista perdeu o controle da direção, o veículo capotou e saiu da pista; testemunhas relataram que parte da estrutura chegou a pegar fogo após o impacto.
A tragédia provocou forte comoção em diversas cidades do interior alagoano e reacendeu o debate sobre a responsabilidade do poder público na contratação e fiscalização de serviços de transporte. A Polícia Civil segue com as investigações para apurar eventuais crimes, negligência administrativa e possíveis responsabilidades civis e penais.
