
As eleições de 2022, apesar da polarização acentuada entre os dois principais presidenciáveis, colocam novamente no ar uma questão, que no fundo, boa parte das pessoas desconhece. O seu voto em determinado candidato elege realmente aquele candidato? Quando um eleitor vota em um candidato a presidente, não importa quantos candidatos terão numa eleição; em 2022 serão 10 no total; ele sabe que se o candidato tiver 50% do total de votos, estará eleito.
Conhecido como sistema majoritário, ele funciona de maneira bem simples, já que determina que para ser eleito, o candidato deve obter a maioria absoluta dos votos ou a maioria simples. No Brasil, esse tipo de modalidade de contagem é usado para a eleição de presidentes, governadores e prefeitos de cidades com mais de 200 mil eleitores e é conhecido como maioria absoluta. Ponto final.
Já o sistema proporcional, é muito mais confuso, complexo e difícil de ser entendido e aceito por boa parte dos eleitores. Ele é utilizado na eleição para cargos do Legislativo (com exceção do cargo de senador), isto é, eleição de vereadores, deputados estaduais, deputados distritais e deputados federais. Nesse sistema, os candidatos mais votados não necessariamente são eleitos. São eleitos os mais votados dos partidos que conquistaram vagas legislativas.
Isso porque, nesse sistema, os partidos conquistam vagas legislativas por meio da quantidade de votos que receberam. O que determina a quantidade de vagas que um partido recebeu é ele ter conquistado ou não o mínimo de votos estabelecido pelo quociente eleitoral. Uma vez feita essa contabilidade, os partidos recebem a quantidade de vagas proporcionais à sua vantagem.
Por meio desse sistema, nem sempre os candidatos mais votados são eleitos, uma vez que a distribuição das vagas acontece de acordo com o critério estabelecido pelo quociente eleitoral. O quociente é estabelecido pelo total de votos válidos dividido pela quantidade de vagas disponíveis.
O palhaço Tiririca é um bom exemplo. Em 2014 ele tentou a primeira reeleição para a Câmara dos Deputados e conseguiu repetir o feito de quatro anos antes. Com mais de 1 milhão de votos, levou para o Congresso Nacional quatro deputados que foram pouco votados. Em Alagoas, outro exemplo, foi o da eleição de Heloísa Helena. Ele teve quase 30 mil votos para vereadora e levou consigo outro vereador, Ricardo Barbosa, que teve somente 453 votos.
Resumindo: nas eleições majoritárias o candidato eleito é aquele que tem mais votos. Para eleger deputados federais, estaduais e vereadores, o sistema é proporcional – e descobrir quem foi eleito envolve um cálculo um pouco mais complexo. Para entender, é preciso saber que, nesse tipo de eleição, o voto que você dá para candidatos conta também como voto no partido. Mas será que o eleitor sabe realmente como funciona?
