
Os milhões de eleitores que não foram às urnas formam números significativos no resultado do segundo turno no próximo dia 30 para decidir o próximo presidente do Brasil. Tanto Lula quanto Bolsonaro passaram os últimos meses tentando converter os indecisos, os adeptos ao voto nulo e aqueles que decidiram não sair para votar. No final do domingo, os números, assustadores, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, davam conta de que 32,7 milhões de eleitores não foram às urnas. Este número representa cerca de 20,9% do eleitorado de 2022 e é semelhante aos resultados de 2018.
Lula venceu o primeiro turno com mais de 5 por cento de diferença para Bolsonaro, colocando a frente do atual presidente mais de 6 milhões de votos. O segundo turno começa do zero, mas com vantagem importante para o ex-presidente. Agora, Lula conseguiu apoio do PDT de Ciro Gomes e de parte do MDB, de Simone Tebet, que, surpresa, ficou em terceiro lugar, superando o eterno candidato do Ceará. Bolsonaro fechou acordo com os dois governadores do segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do país, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Tem apoio também do vencedor do primeiro turno do maior colégio eleitoral, São Paulo. Tem ainda apoio de 2 senadores eleitores e quase 110 deputados federais do PL ou de partidos aliados. Além de Sergio Moto, senador e Deltan Delagnol, deputado federal, eternos defensores da Lava Jato.
Mas a pergunta é: quem votou em Lula no primeiro turno, vai votar no segundo? E todos os eleitores de Bolsonaro, vão votar nele de novo? Os acordos, de um lado e de outro, vão mudar o aspecto do voto e o retrato de quem é um ou quem é o outro. O caminho para a vitória, certamente, está nos quase 33 milhões de leitores que não foram às urnas, ou votaram em branco. E neste sentido que ambos os candidatos devem seguir na busca do voto para 30 de outubro. O resto é retórica política.
Fonte: Jornal de Arapiraca/
CLÁUDIO BULGARELLI
