Quatro deputados alagoanos são derrotados na decisão sobre voto impresso

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A derrota da proposta do voto impresso na Câmara dos Deputados não foi somente do presidente Jair Bolsonaro. Os 218 parlamentares que apoiaram o retrocesso no sistema que causa inveja aos demais países também perderam, entre eles quatro membros da bancada federal alagoana.

Mesmo tendo sido eleitos – alguns inclusive em mais de um pleito – por meio da urna eletrônica, Severino Pessoa (Republicanos) Marx Beltrão (PSD), Pedro Vilela (PSDB) e Nivaldo Albuquerque (PTB) votaram sim na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Voto Impresso.

Os deputados federais de Alagoas apostaram na volta do demorado processo de votação e apuração, proposta propagada com uso de fake news por seus apoiadores – entre eles o atual presidente do Brasil – que só não foi aprovada por não ter atingido 308 votos favoráveis, número mínimo necessário.

Se a Proposta de Emenda à Constituição avançasse por maioria simples, caneta e papel seriam as ferramentas disponíveis na cabine de votação nas próximas eleições brasileiras. O placar final da votação realizada na terça-feira, 10, foi de 229 votos favoráveis à PEC, 218 contrários e uma abstenção.

A proposta rejeitada, de autoria da deputada Bia Kicis (PSL), também conhecida por propagar informações distorcidas e fake news, determinava a impressão de cédulas físicas conferíveis pelo eleitor, independentemente do meio empregado para o registro dos votos em eleições, plebiscitos e referendos.

Após a votação, o deputado alagoano Arthur Lira (PP), atual presidente da Câmara, agradeceu aos deputados pelo comportamento democrático. “A democracia do plenário desta casa deu uma resposta a este assunto e, na Câmara, espero que este assunto esteja definitivamente enterrado”, afirmou.

A votação de terça-feira é a terceira derrota do voto impresso na Câmara Federal, já que o tema foi rejeitado em duas votações na comissão especial na semana passada.

“O brasileiro precisa de vacina, emprego e comida na mesa. A Câmara precisa virar esta página para tratar do que realmente importa para o País”, declarou o 1º vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL), acrescentando que o debate sobre o retrocesso precisa ser superado.

Oposição x governo

Já o deputado Alessandro Molon (PSB), líder da bancada de oposição, avalia que a votação passa um recado ao governo federal. “Dizemos não às intimidações, não à desestabilização das eleições, não à tentativa de golpe de Bolsonaro. Queremos no ano que vem eleições limpas, seguras, tranquilas e pacíficas, como o sistema atual garante”, disse Molon.

Para o deputado Paulo Ganime (Novo), o presidente Bolsonaro é o maior culpado pelo placar da votação. “Se o debate está acalorado e com grandes chances de ser derrotado, eu credito isso ao presidente Jair Bolsonaro, que colocou uma disputa ideológica em um tema técnico e ameaçou as eleições do ano que vem. Isso não contribuiu nem um pouco para o debate.”

Já o líder do PSL e defensor da proposta, deputado Vítor Hugo, afirma que a questão ainda não se encerrou. “Ainda que nós percamos no plenário, nós já vencemos a discussão na sociedade brasileira porque milhões e milhões de brasileiros foram às ruas expressar sua opinião e dizer que não confiam no sistema”.

Vitor Hugo disse ainda que os parlamentares agora vão pressionar o Senado Federal para votar proposta com tema semelhante e pela criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre a segurança do sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Fonte: Redação com Agência Câmara de Notícias

Dat6a: 12/08/2021 05h20