Sindicato repudia ataques à imprensa durante cobertura de velório em Coité do Nóia

Entidade denuncia intimidações e tentativas de cerceamento ao trabalho jornalístico durante sepultamento das vítimas do acidente na AL-220

Prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino Filho, foi citado em nota de repúdio divulgada pelo Sindjornal – Foto: Reprodução

O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) divulgou, nesta quarta-feira (4), uma nota de repúdio contra a conduta do prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino Filho, e de integrantes da administração municipal durante a cobertura do velório das vítimas do grave acidente ocorrido na rodovia AL-220, em São José da Tapera. O capotamento do ônibus que transportava romeiros deixou mortos e feridos e causou forte comoção em todo o estado.

De acordo com o sindicato, profissionais de imprensa foram submetidos a situações de constrangimento, intimidação e tentativas de silenciamento enquanto exerciam a cobertura jornalística do sepultamento coletivo, realizado em um ginásio do município. Um dos episódios mais graves relatados ocorreu durante uma transmissão ao vivo, quando o secretário municipal de Cultura colocou a mão sobre a câmera de uma emissora, interrompendo o trabalho da equipe e insinuando que a ordem teria partido do prefeito.

A atitude foi classificada pelo Sindjornal como uma agressão direta ao exercício do jornalismo e causou constrangimento público, inclusive entre telespectadores que acompanhavam a transmissão. Após o episódio, houve ainda tentativa de retirada das equipes de imprensa do local do velório, o que agravou o clima de tensão.

Outro momento de hostilidade, segundo a entidade, aconteceu quando jornalistas produziam reportagem sobre a nota divulgada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que confirmou a ausência de autorização e documentação obrigatória do ônibus envolvido no acidente. Durante a apuração, a equipe foi cercada por assessores da prefeitura, em uma abordagem considerada injustificável pelo sindicato.

Na nota, o Sindjornal manifesta solidariedade às famílias das vítimas e reconhece a dor que marca o momento vivido pela população de Coité do Nóia. No entanto, a entidade ressalta que a tragédia é um fato de interesse público e exige transparência, responsabilidade e respeito à liberdade de imprensa.

“O jornalismo cumpre função constitucional e é essencial para a democracia. Não aceitaremos que profissionais sejam agredidos, constrangidos ou impedidos de exercer seu trabalho”, afirma o sindicato, ao cobrar que episódios semelhantes não se repitam.

A entidade reforça que seguirá acompanhando o caso e adotará as medidas necessárias para garantir o livre exercício da atividade jornalística em Alagoas.

Por Redação com Tribuna Hoje