Wanda Chase, referência no jornalismo e ativismo racial, morre aos 64 anos em Salvador

Jornalista e ativista Wanda Chase morre aos 64 anos – Foto: Reprodução

A jornalista e ativista Wanda Chase faleceu na noite desta quarta-feira (2), aos 64 anos, durante uma cirurgia para tratar um aneurisma da aorta. O procedimento foi realizado no Hospital Tereza de Lisieux, em Salvador.

Nos últimos meses, Wanda enfrentava problemas de saúde. Após uma virose, foi diagnosticada com infecção urinária e, posteriormente, infecção intestinal. Seu falecimento foi comunicado pela família, que destacou sua trajetória pioneira e seu impacto na luta por igualdade racial e representatividade na mídia.

“Sua partida deixa um vazio irreparável, mas seu legado de luta, perseverança e paixão pela vida e pela justiça social continuará a inspirar gerações futuras. Para nós, seus familiares, Wanda é referência de alegria, determinação, sensatez, honestidade e competência. Na vida a Wanda amou tudo que fez e nosso amor por ela é para sempre”, diz a nota divulgada.

Uma carreira marcada pelo jornalismo e pelo ativismo

Natural do Amazonas, Wanda Chase construiu uma sólida trajetória na comunicação. Trabalhou no Jornal A Crítica, na Rede Manchete, na TV Cabo Branco e na Rede Globo Nordeste. Mas foi na TV Bahia que deixou sua marca, atuando por 27 anos como repórter, editora, colunista e apresentadora.

Além da atuação no jornalismo, Wanda teve um papel essencial na militância negra, defendendo maior visibilidade e inclusão para as comunidades afrodescendentes. Mesmo após se aposentar, seguiu ativa na comunicação. Escrevia a coluna “Opraí Wanda Chase” no Portal IBahia, apresentava o podcast Bastidores com Wanda Chase e trabalhava em um livro sobre a axé music.

Despedida e homenagens

O velório será realizado nesta sexta-feira (4), a partir das 13h, na sala 03 do Cemitério do Campo Santo, no bairro da Federação, em Salvador.

A morte de Wanda Chase gerou comoção e homenagens. A Secretaria de Cultura da Bahia ressaltou sua contribuição para o jornalismo e para a luta racial. “Sua atuação em importantes veículos de comunicação a consolidou como uma das mais importantes jornalistas da Bahia”, destacou a instituição.

Ela também seria homenageada com o título de Cidadã Baiana em março, mas, devido à sua internação, a cerimônia não pôde ocorrer.

Figuras importantes da cultura brasileira prestaram tributo à jornalista. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, lamentou a perda: “Sua partida deixa uma lacuna no jornalismo e na luta por igualdade racial e justiça social”.

Já a cantora Daniela Mercury celebrou a trajetória e o legado da comunicadora: “Nossa Rainha Amazonense dos blocos Afro que contribuiu tanto para o jornalismo e a cultura da Bahia, vá em paz. Vá com todas as proteções e todo o axé”.

O músico Carlinhos Brown também expressou seu reconhecimento, exaltando a força comunicativa de Wanda: “Seu poder de comunicação era tão forte que, quando ela chegava na TV, até as comidas ganhavam cheiro através das telas. As roupas, a dança, o olhar, o canto africano. E seus resquícios ganhavam profundidade através da sua potência comunicadora e da sua oralidade”.

Por Redação / Agência Brasil