Alagoas tem 449 pacientes à espera por um órgão

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Mais de 400 alagoanos estão na fila de espera por um transplante de órgãos. São 324 pacientes esperando por córneas, 121 à espera de um rim compatível, 3 esperando a doação de coração e um paciente aguardando por fígado. Os dados são da Central de Transplantes de Alagoas.

A coordenadora da Central de Transplantes, Daniela Ramos, explica que a pandemia dificultou a captação e realização dos Transplantes tendo em vista as restrições. Isso impactou diretamente no número de pacientes em fila de espera, principalmente à espera por córneas.

“A gente está num cenário que não é pós pandemia, porque ainda vivemos essa realidade, mas com o avanço da vacinação estamos tentando retomar, seguindo todos os protocolos de segurança. Este ano já retomamos o transplante de córneas, até agosto já conseguimos realizar 39 transplantes. Para se ter uma noção em todo o ano passado foram 34. Considerando as restrições impostas pela pandemia o Ministério da Saúde suspendeu a busca ativa e os transplantes e isso dificultou muito o trabalho. Agora com essa retomada estamos gradualmente retomando, entretanto existe todo um cuidado ainda mais com o histórico epidemiológico do paciente porque não pode de maneira alguma estar com Covid-19. Então além dos exames rotineiros precisamos fazer esse histórico em apenas seis horas após a morte encefálica do doador”, explica a coordenadora da Central de Transplantes.

Estado já contabiliza dois transplantes de fígado

Daniela Ramos explica que um ponto extremamente positivo foi o início de realização de transplantes de fígado no estado. Até o ano passado, os pacientes precisavam ser transferidos para outros estados para serem submetidos ao procedimento cirúrgico. Desde 2020, Alagoas foi credenciado, entretanto, em virtude da pandemia, os primeiros Transplantes de fígado só puderam ser realizado este ano. Já foram dois até agora.

“É uma ‘novidade’. Já conseguimos realizar dois transplantes. O Ministério da Saúde [MS] havia credenciado Alagoas pouco antes da pandemia, pelas questões sanitárias. Este ano as equipes já estão inscrevendo os pacientes e realizando os transplantes. Isso é um avanço para o estado, os pacientes não precisarem mais viajar, ir para outro estado”, conta.

RETOMADA

A espera por um órgão tem sido retomada gradualmente. Daniela detalha que a expectativa é reforçar os vínculos entre as unidades hospitalares e os órgãos públicos. Outro aspecto positivo para o cenário é o aumento de leitos disponíveis e a possibilidade de ampliação da rede de busca ativa pelos órgãos.

“A gente está tentando ainda retomar as estratégias com as comissões intra-hospitalares de doação de órgãos que são os braços operacionais da Central dentro dos hospitais. A gente vem estruturando para que essas comissões intensifiquem o trabalho de busca ativa, de interação, porque é lei, a notificação do paciente doador quando vem a óbito, no entanto ainda existe muita subnotificação e isso dificulta o trabalho”, pontua.

Fonte: Tribuna Independente

15/09/2021 08h40