Canoa de Tolda: Patrimônio tombado do Velho Chico é colocada à venda

Foto: Acervo ONG Canoa de Tolda

Entre tantos problemas que ocorrem no maior rio inteiramente brasileiro, de suas nascentes até a foz, o Velho Chico corre o risco de perder um bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Estamos falando da canoa de tolda Luzitânia, símbolo da navegação que não existe mais na região do Baixo São Francisco.

Restaurada por mestres em ofícios praticamente extintos, a embarcação foi recentemente colocada à venda pela Sociedade Socioambiental Canoa de Tolda, instituição que adquiriu a Luzitânia em 1999 e que não por acaso tem o nome do modelo caraterizado pelo compartimento de carga na altura da proa.

Antes da popularização dos barcos a motor e da ampliação da malha rodoviária, o transporte de mercadorias entre a região de Penedo e Piranhas dependia basicamente das canoas de tolda.

Na Luzitânia, 200 sacos de açúcar, cada um com 60 quilos de peso, eram levados em suas viagens impulsionadas pelo vento nas velas. Eram tempos de fartura, em terra e no rio.

Esse trajeto tradicional que movimentava a economia da região do Baixo São Francisco está registrado no documentário Barra a Barra, selecionado em edital do governo federal e incluído no acervo da atual TV Brasil.

Sem recursos para fazer a manutenção da canoa que se encontra parcialmente alagada devido ao aumento de vazão no rio, sem publicidade ampla por parte da CHESF, justamente quando a Luzitânia estava fora da água para reparos, à margem do Povoado Mato da Onça, município de Pão de Açúcar, a ONG optou pela venda.

O preço será definido durante o processo de negociação que inclui a transferência de todas as obrigações relacionadas ao tombamento do bem móvel, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, segundo informações colhidas pelo Jornal de Arapiraca.

Em toda região do BSF, só existem atualmente duas canoas de tolda. Além da Luzitânia, a Prefeitura de Piranhas mantém uma embarcação, sendo que esta perdeu parte de suas características originais, daí a maior a relevância da única remanescente de tradições praticamente extintas.

Fonte: Jornal de Arapiraca/ Fernando Vinicius

07/10/2021 05h20