Casa da África: Povos de terreiro ganham espaço para comercialização no Mercado do Artesanato

Foto: Divulgação

A cultura afro de Arapiraca agora tem um espaço de divulgação e comercialização de produtos do artesanato produzido pelos povos de terreiros arapiraquenses. A Casa da África foi inaugurada no último sábado (18), com as bênçãos dos orixás e oficina de confecção de bonecas negras. O projeto é um marco para as comunidades de matriz africana do município e faz parte das atividades do Centro de Cultura Afro-brasileira Shirê de Malungos.

A inauguração fez parte da 3ª edição da Feira de Artesanato de Arapiraca (Feirart) que funcionou durante todo o fim de semana. Para o integrante do Shirê de Malungos e ex-reitor da Uneal, Clébio Araújo, o espaço é mais que um ponto de comercialização, mas de reconhecimento da tradição africana no Agreste alagoano.

“A Casa da África simboliza um momento novo na história de Arapiraca, porque os terreiros têm um histórico de discriminação e estigmatização e nunca puderam ocupar um espaço público para dar visibilidade a sua estética, a sua arte e produção. É o primeiro espaço público concedido pela Prefeitura de Arapiraca não para indivíduos, mas para o coletivo de comunidades de terreiros, o que simboliza esse reconhecimento do poder público quanto a presença da cultura afro, em particular da cultura de terreiro em Arapiraca”, comentou o professor.

Clébio destaca ainda, a importância da parceria com a Prefeitura que reconhece a necessidade de ter espaços para todas as religiões, além de mais políticas públicas voltadas para a preservação da cultura afro-brasileira.

“Esse reconhecimento é muito importante porque dá visibilidade e legitimidade para a atuação das comunidades de matriz africana em Arapiraca. Por outro lado, é também o reconhecimento da necessidade de políticas públicas específicas voltadas para todo segmento afro em Arapiraca. A Casa da África é um marco histórico na história da nossa diversidade cultural”, completou.

As vendas da Casa da África serão destinadas para as artesãs e para o Centro de Cultura Shirê de Malungos. A Casa funciona no box 27 do Mercado do Artesanato Margarida Alves, de segunda a sábado, das 14h às 19h. A responsável pelo atendimento, Edna Pereira, destaca a importância do espaço como referência na busca de artigos religiosos. “A Casa da África está sendo muito importante, trazendo conhecimento que procuram nossa religião, nossos orixás e a nossa jurema nordestina, que tem o conhecimento de raízes, cascas, folhas e sementes”, explicou.

Fonte: Jornal de Arapiraca/ Lysanne Ferro

23/09/2021 05h00