Caso Davi chega ao tribunal após 12 anos e coloca ex-PMs diante de julgamento por desaparecimento do adolescente

Família cobra respostas enquanto Justiça analisa acusações de tortura, execução e ocultação de cadáver em um dos casos mais emblemáticos de Alagoas

Depois de mais de uma década marcada por incertezas, dor e espera, o desaparecimento do adolescente Davi da Silva volta ao centro das atenções com o início do julgamento, nesta segunda-feira (4), em Maceió. O caso, que nunca teve o corpo da vítima localizado, começa a ser analisado pela Justiça no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro do Barro Duro.

Quatro ex-policiais militares são réus no processo e respondem por uma série de crimes graves, entre eles tortura, sequestro, cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. As acusações colocam em xeque a atuação dos agentes envolvidos na abordagem que antecedeu o desaparecimento do jovem.

Os fatos remontam ao dia 25 de agosto de 2014, no conjunto Cidade Sorriso I, localizado no Benedito Bentes. Na ocasião, Davi, então com 17 anos, saiu de casa informando que realizaria um trabalho. Horas depois, ele e um amigo teriam sido abordados por uma guarnição da Polícia Militar. Desde então, nunca mais foi visto.

À época, chegou a circular a versão de que o adolescente estaria em posse de entorpecentes, narrativa que sempre foi contestada pela família. Os parentes sustentam que Davi não tinha envolvimento com o crime e apontam a abordagem policial como o último registro concreto do paradeiro do jovem.

Mesmo com anos de investigação, o caso seguiu cercado de lacunas, especialmente pela ausência do corpo, o que intensificou o sofrimento da família e dificultou o avanço das apurações. Agora, com o julgamento em andamento, cresce a expectativa por esclarecimentos.

A sessão deve se estender até terça-feira (5), reunindo depoimentos, provas e debates entre acusação e defesa. Para os familiares, mais do que uma decisão judicial, o momento representa a possibilidade de finalmente obter respostas sobre o que aconteceu com Davi — uma pergunta que permanece sem solução há quase 12 anos.

O julgamento também reacende discussões sobre abuso de autoridade, responsabilidade institucional e a necessidade de transparência nas ações das forças de segurança pública.

Por Redação/Foto: Divulgação