Comunidade de residencial no bairro Rio Novo teme novas desocupações

Devido ao comprometimento estrutural, prédios no Vale do Amazonas são desocupados e alguns demolidos – Foto: Edilson Omena

Moradores do Residencial Vale do Amazonas no bairro do Rio Novo em Maceió temem que novas desocupações aconteçam com o aumento das rachaduras. Desde o início da semana a evolução tem sido perceptível e virou alvo de reuniões entre órgãos públicos. A expectativa é de que novos encontros aconteçam para discutir saídas para o problema.

O casal Rosângela Cabral e Lucas Lopes contam que estão “ilhados”. O apartamento em que moram só pode ser acessado a pé já que a única entrada está interditada devido a intensificação das rachaduras na via.

“Até domingo o carro ainda entrava normalmente, mas de lá para cá começou a piorar muito rápido. Depois que começaram a entrar as máquinas e demolir os prédios da frente, a situação ficou desse jeito aí. Agora a gente precisa deixar o carro lá no começo e ir andando. Apesar do nosso apartamento não ter nada, mas isso deixa todo mundo muito preocupado porque não sabemos o que está causando e nem até que parte pode ser afetada”, detalham.

Um morador que preferiu não se identificar reside em frente aos que foram desocupados. Ele conta que seu apartamento apresentou uma fissura em cima da janela e que acredita que novas desocupações vão acontecer.

“Enquanto estiver assim aumentando, a gente fica em risco de sair. Né? Quando chove aqui, fica todo mundo angustiado, com medo de que aconteça algo. Até a calçada vem abrindo e você nota que a barreira que fica aqui está com uma abertura também. Então tudo isso faz a gente pensar se não vamos ser afetados também”, comenta.

Micarla dos Santos mora num dos últimos blocos da rua que mais foi afetada. Ela diz que todos os dias vai ao local para ver como está a situação e apesar de não temer aparecimento de rachaduras, se preocupa com os impactos indiretos.

MP/AL discute riscos para prédios próximos

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) marcou uma nova reunião para discutir a situação e o risco de evolução do problema para outro residencial próximo.

Segundo o órgão, na região, onde estão situados os residenciais, há a constatação de afundamento de solo com profundidade de até dois metros; vazamentos e estrutura predial totalmente comprometida.

O MP/AL deu até esta sexta-feira (19) para BRK, Defesa Civil Municipal, Secretaria de Segurança Pública (SSP) e Equatorial apresentarem relatórios e planos de segurança para a localidade.

“A Construtora Uchôa será notificada para à próxima audiência, com o objetivo de se manifestar sobre os aspectos construtivos do empreendimento, e, a Caixa Econômica Federal para discutir o projeto da construção dos imóveis por ela financiados e também a possibilidade da suspensão das prestações”, disse o MP/AL. 

Fonte: Tribuna Independente