
O estado de Alagoas já tem data marcada para o retorno das aulas presenciais: 16 de agosto. As escolas estaduais têm o prazo de um mês para organizar os espaços físicos para receberem alunos e professores com todos os protocolos de segurança, fazer reparos necessários. O retorno se dará, inicialmente, de forma híbrida, com atividades presenciais e remotas, as turmas também serão divididas para revezamento, de início com 50% dos alunos matriculados por vez nas salas de aula.
A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 06 de julho e teve como norte o avanço da vacinação contra a Covid-19. Os profissionais da educação já estão vacinados com a primeira dose e a previsão é de que até o mês de agosto todos completem a imunizados com as duas doses da vacina.
Para garantir o retorno com os cuidados necessários, o Governo de Alagoas, junto com a Secretaria de Educação, descentralizou R$ 40 milhões para que as escolas possam investir onde for necessário. Aproximadamente 310 instituições receberam o repasse e estão nos preparativos para a retomada das aulas. Além dos investimentos, a Seduc tem distribuído o Protocolo de Orientações à Gestão Escolar, cartilhas com recomendações, além de formações com o Núcleo de Nutrição Escolar da Seduc.
Adequações nas escolas já começou
Em Arapiraca, a Escola Estadual de Educação Básica Costa Rêgo, já está nos últimos ajustes para receber os estudantes. Nessa quarta-feira (14), a escola passou por uma ação de poda das árvores e jardinagem. Com 1205 alunos, sendo 16 turmas pela manhã e 11 no turno vespertino, a escola tem o desafio de retornar com segurança para os funcionários, professores e alunos.
A Diretora da escola, Rosineide Quirino, ressalta que desde o início da pandemia a escola recebe recursos para o combate à Covid-19 e a escola está avançada quanto aos materiais necessários para o retorno com o recurso do Programa Rumo às Aulas. “Esse recurso garante álcool, o dispenser para álcool que a gente inclusive tá terminando de colocar em todas as salas e ambientes administrativo, tapetes também em todas as salas e ambientes administrativos, material de limpeza em geral, a máscara para o aluno, serão quatro pra cada, o fardamento para cada aluno, já estão tudo encaminhado. Só os avisos a gente ainda vai imprimir, com as orientações”, detalhou a diretora.
Esse novo momento impõe às escolas públicas do Estado o desafio de avançar, mas com adequações, que vão desde a entrada dos alunos, até o tempo de aula para que os alunos possam ter as aulas com qualidade. Segundo Rosineide, o retorno preocupa e irá exigir de toda a escola paciência para as mudanças. “O Costa Rêgo tem a chegada aqui na frente fica um tumulto, é muita gente, é isso que nos assusta. E com os horários, a entrada vai ser lenta, porque vai precisar higienizar, tudo vai ser mais lento, então vai perder muito da aula, a aula não vai conseguir ser dada integralmente. Quanto ao lanche, as merendeiras já estão preocupadas de como será esse lanche, seguindo o protocolo como deve seguir, vai ser tudo muito lento, vai ser um desafio”, revela.
A ventilação nas salas de aula do Costa Rêgo também tem sido uma preocupação. Recentemente, a escola passou por uma reforma para a instalação de ares-condicionados, que ainda não foram entregues à escola. “As salas antes tinham mais janelas e além das janelas tinham uma área aberta em cima que foram fechadas para a instalação de ares-condicionados, a única coisa que tem deixado a desejar é a ventilação”.
Retomada ainda divide opiniões
A opinião sobre o retorno ou não das aulas presenciais ainda é bem dividida na Escola Costa Rego. Alguns acham importante que as aulas voltem, outros ainda se preocupam com o vírus. “Tanto entre os funcionários quanto aos alunos, estão divididos. A porcentagem de quem pretende retornar não é tão superior aos que pretendem continuar online, porque o medo ainda continua, o risco ainda é muito grande”, conta Rosineide.
Para Paulo Henrique, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal) – da Regional Agreste, o retorno ainda traz preocupação também com os alunos, que ainda não estarão vacinados até agosto. “Sabemos da importância do trabalho presencial, sabemos que ele tem que ter todo o planejamento para que possa se promover um resgate, porque mesmo nesse modelo de aulas online, ele não é um formato que consegue alcançar todos os alunos da rede, isso ocorre em Arapiraca e em toda a rede estadual. Existe uma grande parcela de estudantes que nem essa participação estão tendo, porque muitas vezes realmente não tem o equipamento que permita essa participação, isso é muito preocupante. Desde o início da pandemia a gente vem cobrando junto aos gestores públicos esse olhar para a comunidade escolar, os alunos e também os professores”, salienta Paulo, que também é professor da rede estadual.
As escolas têm feito um esforço para garantir o acompanhamento dos estudantes nesse período remoto. Na Escola Costa Rêgo, um funcionário foi destacado para ficar só nessa função: ligar, acompanhar e garantir que os alunos participem, venham até a escola buscar os livros e roteiros de estudo, bem como os kits de merenda. A verba destinada para a merenda agora é revertida para a compra dos insumos que vão nesses kits, como arroz, feijão, farinha de milho e açúcar.
Rede Municipal de Arapiraca debate retomada
A capital do Agreste ainda não tem data marcada para o retorno das aulas, mas já vem estudando as possibilidades junto com os gestores escolares. A Prefeitura de Arapiraca, através da Secretaria Municipal de Educação e Esporte, informou que terá uma reunião entre os diretores das unidades escolares e a Secretaria Municipal de Educação e também terá como pauta o retorno presencial das aulas.
Ainda de acordo com a Prefeitura, o retorno é uma das prioridades do município, mas que a garantia da segurança sanitária de alunos e servidores é imprescindível.
Fonte: Tecla1
Autor: Lysanne Ferro
Data: 15/07/2021 08h01
