Jaqueline Rocha explica por que mulheres altamente capazes continuam vivendo abaixo do próprio potencial

Em um cenário em que as mulheres ocupam cada vez mais posições de destaque no mercado de trabalho, nos negócios, na política, na comunicação e em diversas áreas de liderança, um fenômeno silencioso ainda chama atenção: mulheres altamente capazes continuam vivendo abaixo do próprio potencial.
A questão, muitas vezes, não está na falta de competência ou de oportunidade. O maior obstáculo pode estar na distância entre quem essa mulher realmente é, o que ela já construiu e quem ela se permite ser diante da vida.
Medo de julgamento, dificuldade de se posicionar, decisões tomadas por insegurança, necessidade de aprovação, ausência de clareza sobre a própria identidade e padrões emocionais repetidos podem fazer com que mulheres inteligentes, preparadas e ambiciosas estacionem justamente em fases importantes da vida pessoal, profissional e financeira.
Nos últimos meses, o debate sobre saúde mental feminina, produtividade, procrastinação e autossabotagem ganhou força em reportagens nacionais. A Você RH, em matéria atualizada em junho de 2026, apontou que 70% das mulheres relatam ansiedade, angústia ou falta de disposição na maior parte dos dias, contra 51% dos homens. A mesma publicação destacou que 38% das mulheres acumulam dupla jornada, enquanto entre os homens esse índice é de 24%.
A Folha de S.Paulo também abordou, em maio de 2026, os efeitos da cultura da produtividade a qualquer custo sobre a saúde mental das mulheres. A reportagem destacou que, no Brasil, elas representam a maioria dos afastamentos por transtornos mentais, relacionando esse cenário à sobrecarga profissional, doméstica e emocional.
O tema também tem sido discutido a partir da compreensão do comportamento humano. A National Geographic Brasil publicou, em fevereiro de 2026, uma matéria explicando que a procrastinação e a autossabotagem não estão ligadas apenas à falta de disciplina, mas também à forma como o cérebro processa estresse, medo e ameaça. Já a Fast Company Brasil repercutiu, em março, que a procrastinação voltou ao centro do debate porque especialistas têm explicado como o cérebro reage a prazos, cobranças e medo de falhar.
Na prática, isso significa que muitas mulheres não estão apenas adiando tarefas. Elas estão adiando decisões, projetos, conversas importantes, mudanças, posicionamentos e oportunidades que poderiam transformar suas trajetórias.
Para a mentora de mulheres Jaqueline Rocha, especialista em comportamento feminino, identidade, decisão e posicionamento, com pós-graduação em Neurociências e Comportamento, esse padrão aparece com frequência em mulheres que já possuem preparo, experiência e capacidade, mas ainda encontram dificuldade para sustentar internamente o lugar que desejam ocupar. “Existem mulheres extremamente capazes que não avançam porque ainda tomam decisões a partir do medo, da culpa, da necessidade de aprovação ou de uma identidade que já não representa quem elas são. O problema não é falta de capacidade. É falta de clareza, posicionamento e permissão interna para ocupar o próprio lugar”, afirma Jaqueline Rocha.
Segundo a especialista, muitas mulheres não precisam começar do zero. Elas precisam se reconhecer. Isso envolve compreender quais decisões estão sendo tomadas por medo, quais ambientes ou relações diminuem sua força, quais padrões se repetem e quais escolhas já não correspondem à mulher que ela deseja se tornar.
A falta de posicionamento, segundo Jaqueline, pode impactar diretamente a vida afetiva, profissional e financeira. Mulheres que não reconhecem o próprio valor tendem a aceitar menos do que merecem, permanecer em relações que as enfraquecem, evitar conversas difíceis, cobrar abaixo do seu potencial, recusar oportunidades ou esperar por um momento ideal que nunca chega. “Quando a mulher não sabe quem é, ela negocia o próprio valor. Aceita menos, espera demais, se cala quando deveria se posicionar e adia decisões que poderiam mudar sua história. A identidade é a base da decisão. E a decisão é o que muda a rota de uma vida”, destaca.
A discussão também amplia o olhar sobre autoestima feminina. Mais do que aparência ou autoconfiança momentânea, autoestima envolve identidade, autonomia, clareza e capacidade de tomar decisões protetivas. Quando uma mulher reconhece quem é, entende seus limites e aprende a se posicionar, ela passa a fazer escolhas mais conscientes, seja no trabalho, nos relacionamentos, nos negócios ou na vida pessoal.
Para Jaqueline Rocha, ocupar o próprio potencial também é uma questão de saúde emocional e proteção social. Isso porque mulheres desconectadas da própria identidade podem se tornar mais vulneráveis a ciclos de dependência emocional, relações desequilibradas, estagnação profissional e perda de oportunidades.
A especialista defende que o avanço feminino não depende apenas de oportunidades externas, mas também de uma reorganização interna. É preciso que a mulher compreenda seus padrões, reconheça suas competências e pare de tomar decisões com base apenas no medo, na culpa ou na tentativa de agradar.
“O posicionamento feminino começa quando a mulher entende que não precisa diminuir quem é para caber em espaços, relações ou expectativas que não respeitam sua identidade. O primeiro passo para uma nova rota é parar de negociar o próprio valor”, reforça Jaqueline.
Por Assessoria
