Juventude Sem Terra realiza protesto contra a Braskem em Maceió

Foto: Coletivo de Comunicação MST

A ação denuncia o crime da Braskem na capital alagoana que, com o desgaste da exploração de sal-gema, substância utilizada para a fabricação de soda cáustica e PVC, ameaça a vida de cerca de 40 mil pessoas em quatro bairros em Maceió, com afundamento de solo e tremores de terra.

Durante o protestos, os jovens distribuem ainda mudas de árvores frutíferas para a população que passa pela frente da mineradora, convocando a sociedade para denunciar os ataques da mineração em Alagoas.

“Hoje a Juventude Sem Terra vem cantar e denunciar no coração de Maceió, as atrocidades provocadas pelo crime ambiental causado pela Braskem, repudiando a exploração da empresa na cidade, a impunidade que marca a história do crime e exigir a sua responsabilização”. Trecho da carta da Juventude.

Em atividade por todas as regiões do país, a 12ª Jornada da Juventude Sem Terra ocorre com o lema “A Juventude quer viver, derrubar o presidente e ver o povo no poder!”. Em Alagoas, na tarde de ontem (13) o MST doou 20 toneladas para as famílias atingidas pela mineração em Maceió.

Confira na íntegra a carta dos jovens do MST

Carta da Juventude Sem Terra à sociedade Alagoana

A capital alagoana vive um verdadeiro caos. Um cenário de guerra assombra o coração de Maceió. Famílias, histórias e bairros inteiros afundados pela ganância da mineração.

O maior crime ambiental em área urbana do mundo tem culpado: a Braskem. Empresa que há anos explora o solo de Maceió e, no último período, vem afundando a cidade e deixando muitas pessoas sem casa.

Situação que afeta diretamente diversas famílias que hoje estão sem moradia e sem emprego, impacta o conjunto da cidade que hoje sofre com as dificuldades na mobilidade urbana e as consequências da especulação imobiliária.

Esse cenário é ainda mais agravado pelo silêncio do Poder Público que, nesse momento, segue conivente com o desastre causado pela empresa em Maceió, dando carta aberta para a Braskem mandar e desmandar nos rumos da cidade que continua afundando cada dia mais.

As rachaduras causadas pela Braskem nas casas dos bairros do Mutange, Pinheiro, Bom Parto e Bebedouro, interromperam histórias, sonhos, fechou escolas e postos de saúde, destruiu patrimônio histórico e cultural do povo alagoano. São marcas que escancaram o projeto de morte e saque da mineração.

Hoje a Juventude Sem Terra vem cantar e denunciar no coração de Maceió, as atrocidades provocadas pelo crime ambiental causado pela Braskem, repudiando a exploração da empresa na cidade, a impunidade que marca a história do crime e exigir a sua responsabilização.

Nos solidarizamos com as mais de 10 mil famílias que perderam suas casas pelas mãos da Braskem, com as quase 40 mil afetadas, bem como as famílias isoladas e cercadas pelo crime! Nos colocamos mais uma vez lado a lado em resistência para exigir justiça às vítimas desse crime e responsabilidade pelos impactos ambientais imensuráveis.

Assim como levantamos nossa bandeira de luta contra o avanço do agronegócio, da mineração e da ofensiva do capital contra os bens da natureza em nossos territórios e todo nosso estado. Essa luta é nossa!
Esse projeto de mineração não serve ao povo de Maceió, mas a um conglomerado de alguns ricos. Por isso, só a organização, a resistência e a luta popular poderá derrotar esse projeto e a possibilidade ainda no presente de uma nova história para a cidade, para nosso estado e nosso país.

Fonte: Assessoria