
Quanto a Vale Verde paga aos municípios que tem obrigações fiscais? Quanto a mineradora já injetou nos cofres das prefeituras de Craíbas e Igaci, onde explora minério de cobre? Quanto o investimento de uma multinacional com sede na Inglaterra deixou de pagar ao estado e municípios, conforme pediu e conseguiu em redução de impostos? Quais são os riscos reais que a atividade causa ao Agreste alagoano?
Estes são alguns dos questionamentos feitos pelo Jornal de Arapiraca para a Mineradora Vale Verde (MVV), perguntas ainda sem resposta. A empresa orienta sua assessoria de imprensa para que as demandas sejam encaminhadas para e-mail institucional da MVV, procedimento feito pela redação do JA em vão.
Apesar do encaminhamento feito em 27 de julho, também através de e-mail institucional do veículo de comunicação arapiraquense que tenta obter posicionamentos da MVV, não houve retorno, Nem mesmo após reiteradas solicitações aos profissionais de comunicação que prestam serviço para a MVV, jornalistas isentos de qualquer responsabilidade em relação à omissão da mineradora no que diz respeito às informações de interesse público.
Por outro lado, a Vale Verde limita-se a enviar notas após a publicação das reportagens publicadas no Jornal de Arapiraca, material repercutido na mídia local e estadual, servindo inclusive de pauta para outros veículos de comunicação.
Se há erros de apuração – como a indicação equivocada da barragem de rejeitos do projeto Serrote – de parte do JA, é compreensível e parte do trabalho jornalístico. Já a completa omissão em relação aos questionamentos não ajuda em nada e lança mais interrogações sobre a exploração da MVV em nossa região.
Famílias que residem no entorno do Projeto Serrote estão com casas danificadas, com paredes rachadas e perturbadas por conta das explosões realizadas na mina. Até os animais sentem o impacto das intervenções, apresentando mudança de comportamento. A MVV está conversando com essas pessoas ou também faz de conta que não é com ela?
Moradores mostram os estragos nos imóveis e ainda sonham com o prometido emprego que nunca veio. A falta de perspectiva por trabalho se agravou com a pandemia de Covid, em todo lugar do Brasil, mas imagem como é conviver com nuvens de pó de pedra e o barulho incessante do maquinário que processa o material retirado do solo de Craíbas.
O lucro da Vale Verde é alto e certo. Das ‘botijas’ escondidas embaixo da terra irão sair matéria-prima de alto valor para o mercado internacional. A indústria de componentes eletrônicos precisa do que está sendo levado do Agreste alagoano, mas a que custo para a população de Alagoas? Qual será o tamanho do passivo ambiental da Vale Verde? E se a barragem de rejeitos estourar, o maior temor que paira sob a região? Responda MVV.
Fonte: Jornal de Arapiraca
Data: 12/08/2021 05h22
