
A celeridade do tempo ao anunciar a sua marcha nos revela que está se aproximando celeremente a data em que Arapiraca estará completando seus cem anos de Emancipação Política, magno acontecimento que ocorrerá em 2024, o ano do centenário, que esperamos seja comemorado em grande estilo.
É de suma importância lembrar que, tudo começou com um solitário sertanejo destemido caçador, de nome Manoel André, oriundo do povoado de Cacimbinhas, que embrenhando-se nas matas fez pousada para descansar sob a sombra de uma árvore melífera, generosamente frondosa, conhecida como Arapiraca, árvore originalmente catalogada pelo basônimo Piptadenia Piteolobim, resolvendo construir ali a primeira casa da localidade, e dela fazer sua morada. Sendo ele, pois, o primeiro habitante daquele aprazível pedaço de chão encravado as margens do Rio Piauí.
No começo era tudo pequeno, tratava-se apenas de um minúsculo povoamento habitado apenas por parentes do seu fundador. Uma casinha aqui, outra acolá… e assim paulatinamente foi crescendo em terras geograficamente pertencentes ao município de Limoeiro de Anadia, do qual fora posteriormente desmembrado, graças ao denodo do insigne Major Esperidião Rodrigues e do valioso apoio do eminente deputado Odilon Auto, que decididamente abraçou a causa da tão sonhada Emancipação, o que veio a ser consolidada e festivamente comemorada no dia 30 de outubro de 1924.
Mas, para não falar apenas das flores, é de bom alvitre reconhecer que, a bem da verdade, no que pese ter sido o desbravador de Arapiraca, Manoel André, é pouco reverenciado na comunidade por ele fundada. Sendo lembrado apenas em uma praça que leva seu nome, e, salvo melhor juízo, nada mais que isso. O que quase nada representa para incensar a memória do fundador da cidade no pináculo da gratidão.
É importante ressaltar aqui, que quando presidi o Capítulo da Câmara Júnior em Arapiraca, instituição voltada para o treinamento de lideranças, filiada à Júnior Chamber Internacional, sediada em St. Louis, Estados Unidos da América, tomei a iniciativa de promover um grandioso evento, o “Show Monumento”, no Clube dos Fumicultores, com a presença marcante do rei Roberto Carlos, com a finalidade de angariar recursos objetivando erguer um busto em homenagem ao fundador da cidade – Manoel André.
O show foi uma verdadeira apoteose, lotação esgotada. Após pagar o cachê do insuperável cantor, foi registrado um expressivo superávit, o bastante para arcar com as despesas inerentes ao fazimento da obra de arte, que foi modelada em Pão de Açúcar, pelo exímio escultor/modelador João Lisboa, de saudosa memória. A obra ficou perfeita! fez jus ao talento do grande mestre alagoano, e satisfez plenamente as nossas expectativas, e o custo justificou generosamente o benefício.
Fonte: Jornal de Arapiraca/ Ismael Pereira

