Secretário comemora ações realizadas em prol das tradições culturais de Arapiraca

Fonte: Jornal de Arapiraca / Lysanne Ferro

26/08/2021 05h06

Foto: Rafaela Tenório

O secretário de Cultura de Arapiraca, Wellington Magalhães, conversou com a redação do Jornal de Arapiraca sobre os desafios de tocar a pasta de Cultura do município durante a pandemia. Nesses meses de gestão, o também produtor cultural arapiraquense, faz um balanço das atividades feitas até agora, como a consolidação do Conselho Municipal de Política Cultural, que contempla diversos segmentos como os de Livro, Música, ONGs e Instituições, Cultura Popular, Afro-Brasileira, Artesanato, Audiovisual, Artes Visuais, Artes Cênicas, e Empresas e Produtores Culturais. Durante a pandemia, a secretaria conseguiu criar oportunidades para os artistas da terra com o Edital do Música pela Vida que leva a arte dos grupos arapiraquenses para os postos de vacinação. O projeto tem sido um sucesso e será prorrogado.

Para comemorar o dia do Folclore, 22 de agosto, a secretaria realizou atividades com rodas de capoeira e maculelê, sem público devido a pandemia. A expectativa é de retomar as atividades culturais com o público em breve, perpetuando as tradições locais e valorizando as experiências culturais de Arapiraca. Ainda na entrevista, Wellington ressaltou a importância do investimento em cultura feito pelo atual prefeito, “Luciano Barbosa foi o que mais construiu equipamentos culturais para que a cultura possa se servir. A exemplo da tenda cultural na praça Luiz Pereira Lima, do Bosque das Arapiracas, do Memorial da Mulher, do Mercado do Artesanato, da Perucaba, Planetário entre outros”, frisou o secretário.

Na íntegra, confira a entrevista com o Secretário de Cultura Wellington Magalhães:

Como tem sido o desafio de coordenar a cultura do município de Arapiraca?

A gente já vem realmente de um berço da cultura popular de Arapiraca, que é o bairro de canafístula, então já tem uma certa experiência de movimento cultural. A gente vem mantendo a tradição de geração a geração, a exemplo do reisado da Canafístula, do qual o meu bisavô foi o fundador, meu avô participou tocando sanfona e meu pai participou. Agora eu continuo com os primos. Quando recebemos o convite, foi um pouco de medo do novo, mas a gente sabia que podia sim desenvolver um bom trabalho aqui na cultura, porque quem faz cultura há muito tempo, sabe quais são as dificuldades e o que realmente almejamos que é o reconhecimento, é ser reconhecido e ser valorizado.

Arapiraca é rica em artistas de diversas áreas, de que modo tem se dado a relação com os artistas da terra?

Estamos com um projeto, o Programa Viva Nossa Cultura que é mapear, cadastrar e fazer um diagnóstico cultural de Arapiraca para que a gente possa fazer o nosso resgate da identidade cultural. Construir a identidade cultural de Arapiraca para a comemoração dos 100 anos. Então a gente está visitando e recebendo mestres, grupos, artistas e estamos conversando com eles sobre essa ideia, que é de resgatar, valorizar e divulgar o que a gente tem de cultura.

Quais são as atividades desenvolvidas pela secretaria durante a pandemia?

Nesses primeiros meses, a gente fez alguns eventos importantes, a exemplo de uma live de carnaval com artistas da terra. Estamos acompanhando as contrapartidas, que é uma prestação de contas da lei Aldir Blanc. Desde que assumimos, todos os meses têm uma exposição aqui na Casa da Cultura, a gente está chamando os artistas plásticos que têm o seu trabalho para expor e está tendo um resultado muito bom, porque muitos dos que fizeram sua exposição aqui conseguiram vender suas obras de arte. Conseguimos também uma parceira com o shopping, já levamos muitos eventos pra lá. Esse final de semana teve uma exposição de jogos de tabuleiro da cultura nerd, que é um movimento que a gente também está dando ênfase, é uma cultura nova que em Arapiraca está ganhando uma conotação importante. Tem também o edital Música pela Vida, a gente contemplou 48 grupos de músicos para tocar onde o pessoal está esperando para tomar a vacina, recebendo uma dose de alegria com os músicos e tem sido um sucesso. Inclusive prorrogamos e duplicamos a quantidade de grupos que vão participar. Isso é valorizar os artistas da terra. O setor cultural é o que foi mais prejudicado na pandemia, porque foi o primeiro a parar e vai ser o último a voltar suas atividades como era antes, porque a cultura é um setor que só tem sentido se aglomerar e aglomeração é uma das principais causas do aumento de transmissão de covid.

Recentemente, a Casa de Cultura completou 23 anos de atividades, como foi a programação e o envolvimento com os artistas arapiraquenses?

No aniversário da casa da cultura, a gente fez uma programação de três dias com roda de conversa com os escritores da terra. Desde os mais jovens até os mais tradicionais, a exemplo da Lara Araújo, que é uma escritora jovem muito competente e já tem trabalhos excelentes; até o pessoal da Acala, a Marta Eugênia que é uma escritora experiente. No segundo dia, a mesa de conversa foi com o pessoal do cultura nerd e do artesanato. Tivemos apresentações de cultura popular com o Gilson Oliveira, que é coreógrafo de bandas fanfarras e quadrilhas juninas e pra encerrar a gente fez um grande encontro com os mestres da cultura popular de Arapiraca, onde conseguimos reunir aqui 15 mestres de diversos segmentos, então a gente tá conseguindo movimentar, nosso foco é poder identificar e valorizar esses mestres para que não se perca o que tem de memória e história construídas.

Quais são os planos para os próximos meses?

A gente está com várias ideias, esperando só a pandemia cessar mesmo, para que possamos fazer cultura como sempre soubemos fazer, que é fazendo com que as pessoas participem, que as pessoas prestigiem, se emocionem, se arrepiem ao ver as apresentações. A gente vem buscando estar junto dos artistas e estamos muito felizes de conseguir aos poucos se sobressair, mesmo com a pandemia que assola o mundo.

Foto: Rafaela Tenório