
A maior expedição científica da história do Rio São Francisco está acontecendo agora. Enquanto você lê esta notícia, centenas de pessoas participam de atividades relacionadas com a 4ª edição da pesquisa coordenada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em parceria com outras universidades e instituições.
A programação iniciada na cidade de Piranhas, no dia 1º de novembro, está mais ampla do que as edições anteriores. São oficinas, palestras, exposições artísticas, instalação de fossas agroecológicas, doação de kits escolares e de jogos educativos durante programado para encerrar no dia 10, em Penedo.
Além do público-alvo formado por estudantes de escolas da Região do Baixo São Francisco, de Alagoas e Sergipe, a defesa do Rio São Francisco e das comunidades ribeirinhas é o foco do trabalho integrado.
O coordenador geral da expedição, professor Emerson Soares, ressalta a importância da colaboração das diversas instituições. “A coisa mais importante para a realização da expedição é a colaboração. A universidade não consegue fazer nada sozinha, mas essa junção de instituições e pessoas por um bem comum, que no caso é o nosso Velho Chico e que merece toda atenção. O legado que a gente está deixando é um legado de parceria. Essa junção de pessoas e parcerias é o que vai fazer com que tenhamos uma voz ativa para defender o Velho Chico.”
E como resultado dessa união de forças, Emerson Soares anunciou um desdobramento da expedição em parceria com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), o programa de biomonitoramento que funcionará a partir de 2022, com coletas bimensais em todo o rio. Os dados coletados serão fundamentais para a elaboração de políticas públicas mais efetivas para o Rio São Francisco.
O reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, destaca o tamanho e o impacto dessa realização para a ciência no Brasil: “É a maior expedição científica brasileira da atualidade. É uma rara oportunidade em que a gente consegue ver ao vivo as heranças que nos restaram e olhar para o que vamos deixar para os nossos descendentes. Como saber o que de melhor podemos deixar para os nossos descendentes se não conhecemos o que o rio tem e os estragos que nós e nossos antepassados fizemos? O que vamos deixar se não tivermos educação, conhecimento e ciência? Num momento em que o Brasil trata tão mal a educação e a ciência, nós temos essa reação: 100 expedicionários que arregaçam as mangas e vão a campo para a fazer a sua parte”, enfatizou Tonholo.
A passagem da expedição pelos municípios do baixo São Francisco é determinante para a elaboração e a implementação de políticas públicas que resgatem o rio e possibilitem o desenvolvimento da região como destacou Maciel Oliveira, presidente do CBHSF).
“A produção de conhecimento científico é extremamente importante para que o comitê possa tomar decisões, como a alocação de recursos e a priorização de projetos. Além de produzir dados científicos para que o comitê e outros órgãos possam se apropriar dessa informação e tomar decisões sobre como podemos melhorar a qualidade da água do São Francisco”.
Maciel Oliveira reforçou o compromisso do Comitê com a expedição e confirmou a parceria para a edição do próximo ano. O presidente do CBHSF revelou o desejo de expansão do projeto numa possível parceria com a Universidade Rural de Pernambuco para mapeamento do submédio, médio e alto São Francisco: “A expedição está dando tão certo que temos que levá-la rio acima”, ressaltou.
Fonte: Redação com Assessoria Ufal
